Como ensinar produção textual?

Até recentemente, o ensino de produção de textos (ou de redação) era feito como um procedimento único e global, como se todos os tipos de texto fossem iguais e não apresentassem determinadas particularidades e, por isso, não exigissem aprendizagens específicas.
A fórmula de ensino de redação, ainda hoje muito praticada nas escolas brasileiras - que consiste fundamentalmente na trilogia narração, descrição e dissertação -, tem por base uma concepção “beletrista”, distanciada das práticas sociais de produção textual.
Além disso, essa concepção guarda em si uma visão equivocada de que narrar e descrever sejam ações mais “fáceis” do que dissertar, ou mais adequadas à faixa etária, razão pela qual esta última tem sido reservada às séries terminais - tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio -, como se narrar e descrever fossem pré-requisitos para a produção de um bom texto dissertativo.

Contrariando essa visão, o ensino de produção de texto pela perspectiva dos gêneros compreende que o resultado é mais satisfatório quando se põe o aluno, desde cedo, em contato com uma verdadeira diversidade textual, ou seja, com os diferentes gêneros textuais que circulam socialmente, inclusive aqueles que expressam opinião. Além disso, compreende também que a aprendizagem deva se dar em espiral, isto é, que os gêneros devam ser periodicamente retomados, aprofundados e ampliados, de acordo com a série, com o grau de maturidade dos alunos, com suas habilidades lingüísticas e com a área temática de seus interesses.

Em nossas obras, por exemplo, os gêneros argumentativos são introduzidos já nas primeiras séries e sistematicamente retomado nas séries seguintes, seja como texto argumentativo propriamente dito, seja como texto de opinião, carta argumentativa de reclamação, carta argumentativa de solicitação, crônica argumentativa ou editorial.

O mesmo ocorre com os gêneros narrativos - a lenda, a fábula, o conto maravilhoso, a anedota, a crônica, o relato pessoal, entre outros - que são distribuídos ao longo das séries de acordo com sua complexidade e com a faixa etária dos alunos.


 
 
 
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