Como avaliar a produção de textos?

Tomando como perspectiva o gênero textual e suas características essenciais quanto ao tema, ao modo composicional (estrutura) e o estilo (uso da língua), a avaliação torna-se mais objetiva e justa, à medida que permite visualizar com maior clareza os aspectos do texto que necessitam ser reestruturados.

Um trabalho de produção de texto organizado sob a perspectiva de gêneros textuais e da textualidade deve levar em conta critérios diferentes de avaliação.

Se, antes, a avaliação dos textos produzidos era feita com base em critérios gramaticais e literários - por exemplo, linguagem de acordo com a variedade padrão, vocabulário culto e emprego de recursos literários -, quando se trabalha conforme a perspectiva de gêneros, a avaliação deve levar em conta critérios diferentes, específicos do gênero.

Por exemplo, ao ler uma notícia de jornal escrito produzida pelo aluno, o professor deve se perguntar: Esta notícia apresenta um tema, uma estrutura (lead + corpo ou desenvolvimento) e uma linguagem (variedade padrão, menos ou mais formal e impessoal) adequados ao gênero, ao veículo (jornal escolar, jornal de bairro) e ao tipo de leitor? Em caso de reescrita, qual desses fatores precisaria ser modificado para que o texto atendesse plenamente aos objetivos do exercício?

Quanto ao número de correções, são conhecidos os casos de escolas e professores que praticamente abandonam o trabalho com produção de textos em virtude do acúmulo de trabalho que essas produções demandam.

Esse problema decorre de outro, maior, que é a concepção convencional que se tem da avaliação, quase sempre confundida com correção gramatical e nota.

Não é necessário que o professor corrija todas as produções de texto. Como parte de um processo, a correção exclusivamente gramatical, que procura atender a uma exigência burocrática de atribuir nota, pode ser até negativa para o aluno que ainda está desenvolvendo sua capacidade de produção verbal escrita. É necessário que o professor avalie o processo pelo qual passa o aluno individualmente e a classe como um todo e interfira nesse processo, a fim de fazer os ajustes necessários.

Em vez de o professor assumir o papel de leitor e juiz exclusivo do texto do aluno, convém que se abra o leque das interações: os próprios alunos podem ler, analisar e criticar o texto dos colegas, sugerir mudanças, questionar trechos obscuros, etc. Não há o que temer: na condição de leitores, os alunos normalmente são tão ou mais críticos em relação ao texto do colega do que em relação ao próprio texto. O produtor do texto, por sua vez, tendo diferentes leitores, verá mais sentido em seu trabalho e passará a ajustá-lo de acordo com esse público.
 
Além disso, é importante que o aluno aprenda a avaliar o próprio texto, desde que devidamente orientado sobre os critérios a serem observados. E, se necessário, a reescrever o texto até que ele esteja de acordo com a finalidade daquele tipo de produção.


 
 
 
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